Copiado!

Me pega no colo também?












Algumas vezes meu filho pediu colo para ir para a cama, da mesma forma que fazemos com a irmã dele. Sinal claro de que estava com ciúmes!


Pegamos ele no colo, vamos conversando até sua cama e explicamos que ele é bem mais pesado que a irmã e que também já sabe andar. 


Ao agirmos assim, mostramos que ele é importante para nós. Ao negar o colo ou levá-lo sem explicação, podemos desencadear outras cenas de ciúmes.


O resultado de fazermos isso com carinho e o uso da razão é que ele está pedindo cada vez menos o colo e, algumas vezes, até pede para ajudar a levar a irmã para o quarto.


O ciúme da irmã mais nova é desafiador, mas com carinho e atenção tudo fica mais fácil.


(Foto: Arquivo pessoal)



Me pega no colo também?



Algumas vezes meu filho pediu colo para ir para a cama, da mesma forma que fazemos com a irmã dele. Sinal claro de que estava com ciúmes!
Pegamos ele no colo, vamos conversando até sua cama e explicamos que ele é bem mais pesado que a irmã e que também já sabe andar. 
Ao agirmos assim, mostramos que ele é importante para nós. Ao negar o colo ou levá-lo sem explicação, podemos desencadear outras cenas de ciúmes.
O resultado de fazermos isso com carinho e o uso da razão é que ele está pedindo cada vez menos o colo e, algumas vezes, até pede para ajudar a levar a irmã para o quarto.
O ciúme da irmã mais nova é desafiador, mas com carinho e atenção tudo fica mais fácil.
(Foto: Arquivo pessoal)

8 frases que nunca deveriam ser ditas pelos pais

Mesmo que aconteçam sem que os pais percebam, as crianças acabam sendo atingidas de muitas maneiras. Entre os efeitos negativos, sem dúvida, a diminuição da autoestima é o que mais se sobressai. Isso porque ela funciona como armadura contra os desafios do mundo. 
Se desejamos que a criança se sinta capaz e, ao mesmo tempo, amada para enfrentar os desafios, a maneira como falamos com ela determinará o olhar que terá sobre si mesma. “Os pais têm em suas mãos uma oportunidade única de ajudar seus filhos a gostarem deles mesmos e a superarem suas dificuldades logo nos primeiros anos de vida”, explica a terapeuta infantil Mônica Pessanha.
"A Valentina gosta muito de brincar de mamãe e filhinho, sempre me usando como referência”, conta a mãe Cauane Maciel. Esse foi o momento em que Cauane percebeu que a filha de 3 anos a imitava em seu jeito de ser e falar.
“Eu tinha o costume de falar em um tom mais alto, em vez de firme, e de apontar o dedo. E ela fazia da mesma maneira com os amiguinhos e bonecas”, relata.
Essa atitude da criança fez com que Cauane se sentisse mal, pois via que Valentina repetia uma ação que não deveria servir como inspiração. “Um dia sentei com ela e expliquei que era muito feio fazer aquilo, que a mamãe também estava errada em agir daquela maneira e que as coisas iriam ser diferentes”, conta. Desde então, a mãe mudou a forma de dar broncas e, hoje, Valentina continua imitando Cauane, mas de uma maneira mais positiva.
A seguir, confira 8 frases que nunca deveriam ser ditas pelos pais, segundo a psicoterapeuta de família Marilia Gabriela Leme e a terapeuta Mônica Pessanha. 
"Você nunca faz nada direito”
Esse tipo de frase envergonha e incapacita a criança. “Embora muitas pessoas pensem que a vergonha é uma boa forma de punir as crianças, na verdade isso impede que elas consigam as ferramentas de que precisam para desenvolver suas habilidades”, elucida Mônica. A longo prazo, a vergonha vai tornar a criança menos capaz de tomar as decisões certas. Vale lembrar que vergonha é diferente de culpa (o que pode realmente ser uma emoção saudável) porque contém sentimentos de remorso e responsabilidade. Em vez disso, use frases em que haja ensinamento: "Querido, você fez de um jeito diferente do que a mamãe estava acostumada, o que acha se eu lhe mostrar como fazer?".
"Os homens são todos iguais”
Esta frase impacta profundamente não só a relação da criança com a figura paterna, como também na relação dela com a figura masculina.
"Por que fui ter filhos?"
É bom lembrar que o fato de uma mãe dizer isso não a torna um monstrinho. Todas nós somos capazes de sentir coisas negativas em determinados momentos de nossas vidas. Depois de um dia difícil no trabalho ou diante da dificuldade financeira, na própria TPM, pode ser que você pense: "Às vezes, eu desejo não ter tido filhos", mas com certeza esse sentimento não dura mais do que o momento da fala, ou seja, um segundo. É importante compreender que é algo "do momento" e não expressa seu real sentimento. O problema está no fato de que a criança pode compreender que o relacionamento entre vocês é frágil e pode se quebrar a qualquer instante. Se ela começa a pensar que não tem nada a perder, incluindo seu carinho, irá refletir um comportamento cada vez mais inadequado. Nos momentos de tensão, tente respirar fundo e se ausentar da situação conflitante para que as palavras ditas não sejam perigosas nas relações.
"Eu não tenho tempo agora"
Talvez essa seja a frase mais falada nos últimos tempos. Cada dia mais os pais têm se envolvido com seus trabalhos e, nos momentos de lazer, preocupam-se mais com seu próprio descanso. Quando dizemos: "Eu não tenho tempo", o que estamos realmente dizendo é: "O que eu estou fazendo é mais importante do que o que você precisa" ou "Não há outra coisa que eu preferia estar fazendo". Na verdade, isso não é real, pois o mais importante é passar o tempo com os filhos e familiares.
"Você é só uma criança e não entende nada"
As crianças devem ser preservadas de alguns diálogos que só cabem aos pais ou adultos. No entanto, isso não significa que elas não saibam de nada. Muitas vezes os pequenos não sabem o que fazer com aquilo que compreendem porque não depende deles! É mais precioso buscar entender o que elas estão interpretando sobre o que estão vivendo.
"Não chore"
Quando os pais dizem aos seus filhos para não chorarem, eles estão invalidando seus sentimentos. Isso pode fazer a criança guardar seus sentimentos, o que, em última instância, pode levar a uma explosão de emoções. Todo mundo precisa chorar às vezes. A gente não precisa ser forte o tempo todo. Permitir que o choro aconteça ajudará a criança a compreender seus sentimentos em relação à situação que estará vivenciando, como um conflito na escola, por exemplo. Diga: "Você realmente está desapontado com sua amiga, né? O que aconteceu?". Falar de forma que a criança exponha o que sente pode ajudá-la a equilibrar suas emoções, o que é uma habilidade crucial durante toda a vida.
"Eu prometo"
As crianças acreditam em tudo que os adultos falam, principalmente os pais. Mas os pais, na maioria das vezes, esquecem que coisas inesperadas acontecem e que nem sempre irão conseguir cumprir com o combinado, por exemplo, de irem ao cinema juntos. É melhor trabalhar com a ideia de que farão o possível para que o passeio aconteça, pois, quando os pais prometem algo e não cumprem, ensinam aos filhos que palavras podem ser quebradas e o princípio da honestidade vai por água abaixo.
"Você é igualzinho ao seu pai"
Mesmo que soe bastante inofensivo, esse tipo de frase é extremamente negativo para a criança. Quando o pai é frequentemente criticado em casa e essa frase é usada para descrever ou caracterizar a criança, ela pode ficar confusa sobre suas qualidades e as qualidades do pai. Os adultos precisam separar suas histórias das de seus filhos. Quando acharem que a criança está apresentando um comportamento que julguem inapropriado ou que os façam lembrar daquilo de que não gostam em seus companheiros, devem tentar fazer reforço positivo sobre o comportamento. Por exemplo: "Gosto quando você coloca sua mochila em seu quarto”, em vez de: "Puxa, você sempre deixa a mochila fora do lugar, parece seu pai”.
(Foto: Getty Images)

Brinquedos barulhentos: a vingança

Vou te falar que cheguei a usar umas três técnicas com alguns brinquedos do Padawan e foi um sucesso!
Até hoje ele acha que os brinquedos quebraram sozinhos!
Hoje as coisas mudaram. O Padawan prefere ficar em silêncio ao desenhar e reclama de sons altos.
- "Shhhhhiii, vocês estão falando muito alto! Podem falar mais baixo, por favor?"
Como ele pede todo educadinho, abaixamos o tom da conversa e a paz reina em casa.
Porém, algo irá mudar nos próximos meses. A minha filha vai nascer e certamente ela ganhará vários brinquedos barulhentos!
Já pensei em fazer um brinquedocídio antes mesmo de dar os brinquedos para ela, mas tive uma ideia melhor.
Vou dar uma promoção ao Padawan aqui em casa. Ele será o responsável em abrir os brinquedos, colocar as pilhas nele e testá-los.
Assim ele ficará todo pimpão em ser o "Inspetor dos Brinquedos" da irmã mais nova e quero ver ele reclamar dos sons dos objetos.
- "Ué, você não pode reclamar! Você é o 'Inspetor dos Brinquedos' e precisa ficar perto deles sempre que a sua irmã estiver brincando!", direi.
A minha vingança em ter de aturar os brinquedos dele será servida bem fria, pois quem vai ter de aturar agora será ELE!
Só espero que ele não invente de matar os brinquedos...
(Foto: Getty Images)

Em busca do equilíbrio entre o “sim” e o “não”

Em busca do equilíbrio entre o “sim” e o “não”

Dizer “não” para uma criança nem sempre é fácil. Mas, verdade seja dita, às vezes é o caminho mais curto para resolver alguma situação. Na outra ponta da corda, o “sim” aparece no mesmo contexto: ora é prático, ora é doloroso para quem o diz.

E é dessa maneira que as mães seguem dia após dia tentando balancear pesos e medidas quando precisam dizer essas palavrinhas tão pequenas, mas tão poderosas, capazes de influenciar o comportamento do filho numa vida adulta.

Aí vem a pergunta óbvia: por que é tão difícil encontrar esse equilíbrio?

Alguns autores falam em choque de gerações, mas a psicóloga Renata Magliocca, especialista em psicologia positiva, prefere o termo “encontro”.

É que os pais nasceram e cresceram em contextos socioeconômicos muito diferentes dos seus filhos: o mundo era outro, as necessidades, os desejos, a economia, as carreiras etc.  Essa diferença de contexto gera muitas inseguranças e dúvidas sobre o melhor jeito de agir e educar os filhos.

“Se os pais reproduzem o jeito como foram educados, fica a sensação de que estão fora de contexto, desatualizados ou que aquelas respostas não dão o mesmo efeito como antes. E não dão mesmo”, afirma Renata.

Por isso, os momentos do “sim” e “não” talvez sejam os que mais expõem essas mudanças e as inseguranças da maioria dos pais, desde como dar afeto, mostrar que o filho é amado, até oferecer limites, sem mimar ou, ainda, ensinar como vencer frustrações, falhas, erros, entre tantos outros percalços.

“Para vencer isso, os pais precisam ter claro quais são os valores que querem passar para seus filhos; o que é, na opinião deles, fundamental e o que não é tão relevante assim. Serão esses os contornos que darão a referência do momento certo de dizer ‘sim’ ou ‘não’”, defende a psicóloga Renata Magliocca.

Vale lembrar que esse é um exercício diário. Os pais precisam estar abertos a constantemente analisarem os impactos das suas ações em cada um dos filhos (porque cada um deles tem sua individualidade e reagirá de um jeito).

Também devem se questionar se estão no caminho que reforçam positivamente os valores em que acreditam e – bem importante – não esquecer que errar e falhar farão parte desse aprendizado constante.

Onde mora a dificuldade

Para a psicopedagoga Maíra Scombatti, a dificuldade dos pais em encontrarem o momento certo de dizer "sim" e "não" acontece quando ainda não se tem clareza do limite real do momento.

“Não temos dúvida em dizer ‘não’ quando uma criança tem o impulso de atravessar uma rua movimentada, assim como não temos dúvidas em dizer ‘sim’ quando nossos filhos nos pedem um copo de água quando estão com sede. Geralmente, quando temos dúvida, é porque o limite não é verdadeiramente importante. Nem todos os limites têm a mesma importância. E isso varia para cada família”, afirma.

Ter consciência dos limites (de integridade física, de convivência etc), identificar quais têm verdadeira importância em cada contexto, permitir-se questionar quando é possível e perceber as reais necessidades de cada momento podem ajudar a encontrar o equilíbrio nessa relação com os filhos.

Limites: como ensiná-los?

Antes de ensinar limites, é preciso que os pais tenham clareza sobre as seguintes perguntas:

  • O que valorizamos como família?
  • Quais comportamentos esperamos dar como exemplo para os filhos?
  • Que atitudes esperamos que eles tenham quando forem adultos?
  • Quais são os sinais e ações que esperamos ver e que nos trarão a confiança de que estamos no caminho certo?

Sem essas respostas, os limites ficarão muito confusos, dificultando que os filhos entendam a importância deles. “Essa inconstância gera dúvidas na criança, que também acaba confusa sobre qual comportamento é esperado dela naquela situação”, observa Renata.

É preciso ressaltar a importância do exemplo: os filhos aprenderão (verdadeiramente) o que é “sim” ou que é “não” ao identificarem nos seus pais e educadores determinados comportamentos.

Por exemplo, se você quer ensinar seu filho a ser educado com todos, então, pergunte-se: “Eu sou educada com todos?”, “O que eu faço que me traz a certeza de que sou?”, “O que eu gostaria de fazer?”. E colocar essas atitudes em prática.

Assim, os filhos vão compreendendo os limites daquela família, daquele contexto sem muita necessidade de cobrança ou imposição.

Avaliando o equilíbrio

Segundo a psicóloga Carla Zuquetto, terapeuta analítico-comportamental, um jeito de os pais descobrirem se estão no caminho certo é observar o desenvolvimento da criança. E aí não tem jeito: é estudar um pouco de desenvolvimento, dos marcos, saber o que esperar em cada fase.

“A gente não espera que um bebê de 7 meses saia correndo pela sala, nem que uma criança de 2 anos leia. Da mesma forma, não pode esperar determinados comportamentos antes da criança estar pronta para eles”, afirma. Ou seja, os limites têm que estar dentro desse intervalo: do que a criança pode fazer, do que ela consegue fazer.

Para quem busca dicas práticas, Carla Zuquetto indica algumas:

  • Esteja atenta ao seu filho e ao ambiente que o cerca e policie o seu próprio comportamento.
  • Tenha clareza dos limites que você quer colocar para os seus filhos e saiba os motivos desses limites.
  • Pense se esses limites são palpáveis para a idade da criança. Se não forem, em quais seriam os limites palpáveis e como chegar neles (fazer uma escala de limites).
  • Esteja sempre em acordo com o parceiro. Se um diz “não”, o outro deve confirmar.
  • Os limites devem ser consistentes, sem exceções às regras.

Palavra de mãe

Yara Tropea, jornalista, é mãe de Pedro (8 anos) e Luiza (2 anos) e, na maioria das vezes, não sente dificuldade em encontrar o momento certo de dizer "sim" e "não" para os filhos. Na verdade, ela tenta não criar “nãos”.

“Minha meta é dizer ‘sim’. Se vem um ‘não’ é porque não pode mesmo. E, às vezes, digo ‘sim’, mas quando eles vão colocar em prática aquilo que autorizei e percebo que foi uma péssima ideia, digo ‘não’ e explico o porquê dentro do entendimento deles”, comenta.

Mas nem sempre foi assim. Quando Pedro era pequeno, Yara tinha uma necessidade muito grande de obediência. “Achava que obediência e respeito eram a mesma coisa. Então, não aceitava que ele não fizesse o que eu estava dizendo para ele fazer. Naquela época, acho que eu dizia mais ‘nãos’, pois me respeitar era ele parar assim que eu dissesse ‘para!’”, conta.

Com o tempo, foi percebendo que tinha pouco a ver com respeito e mais a ver com o que ele podia dar com o pouco repertório que tinha. “Quanto mais eu me colocava na pele dele, mais eu conseguia equilibrar”, explica.

Para a advogada Ana Paula Consolino, mãe de Vittorio (8 anos), Giovanni (6 anos) e Giulia (4 anos), impor limites é difícil. “De tudo que se fala sobre filhos, acho que esse ponto é um dos mais complicados”, avalia.

Segundo ela, nos momentos em que um de seus filhos tenta se impor e testar seu próprio limite é que, muitas vezes, se sente incapaz. “Eu me questiono, me culpo tentando buscar explicação para aquilo. Ser ‘autoridade’ sem ser autoritária é extremamente complicado, mas é necessário”, avalia.

Para Ana Paula, é possível dizer “não” de um lado com um “sim” de outro. “Se é hora de trocar de roupa para sair, não vai esperar mais, pois está na hora. Mas a escolha da roupa pode ser da criança”, exemplifica.

Essas pequenas doses diárias e contínuas de equilíbrio são um exercício e sinônimo de paciência. “Sem dúvida haverá dias em que nós vamos nos colocar em conflito, a culpa aparecerá e a sensação de não saber se estamos no caminho certo, também, mas temos dentro de nós nossos próprios limites, nossos próprios conceitos e sabemos o que queremos para a construção dos nossos filhos: essa é a base”, acredita a advogada.


Como estar presente, de verdade, na vida do seu filho

A gente sabe bem que nem sempre parece fácil educar e estar presente de verdade na vida dos nossos filhos. E muitas vezes a tarefa pode ser bem desgastante.

Mas para a psicóloga Daniella Freixo de Faria existe um jeito diferente de conduzir a educação dos nossos filhos. É sobre isso que ela fala em seu recém-lançado livro Conversa com Criança.

Veja aqui algumas ideias para conseguir passar por esse processo com muito amor e respeito por você e pelo seu filho:

. Neutralize a sua culpa. A culpa atrapalha porque, quando erramos, acaba despotencializando os pais. O melhor caminho, quando você perceber que errou, é encarar aquilo como aprendizado e não como sinal de você não sabe educar seu filho. "Em vez de nos culparmos, vamos nos dar amor, colo, aconchego e calor humano para que possamos investir nossa energia no aprendizado, na potência de estamos, mesmo na dificuldade, aprendendo e assumindo a presença consciente na nossa vida e na de nossos filhos", diz Daniella.

. Policie as críticas a seu filho. Evite aquela postura de certo ou errado e comece a prestar atenção de verdade em seu filho. Por que ele anda tendo determinado comportamento? A criança não é agressiva; ela pode estar agressiva e essa agressividade nada mais ser do que um pedido de escuta, de ajuda. Apenas nos informa, conta-nos qual é o próximo passo do caminho", diz a psicóloga em seu livro.

. Escute. De acordo com Daniella, muitas vezes ficamos tão perdidas, buscando uma luz no fim do túnel, que não percebemos que o tempo todo estamos recebendo falas, expressões, choros e situações que nos informam o que a criança precisa ou está pedindo. É preciso parar para ouvir com o coração, ficar no momento presente. Uma das maneiras de fazer isso é olhar a situação sob o ponto de vista da criança, se colocando no lugar e lembrando que o mundo dela não é tão complexo quanto o de um adulto. Isso significa não ignorar um problema trazido pela criança como se fosse bobagem mas, sim, entender porque aquilo é tão importante para ela e aí sim ajudá-la a resolver a questão. "A escuta, a conversa, a disponibilidade e o acolhimento farão algo extraordinário acontecer. Conversando, a criança passa a aprofundar sua reflexões", diz Daniella. E uma forma de chegar a isso é com um pergunta simples: "Como posso ajudar você a resolver isso?".

O preconceito e a necessidade de entender o outro

Era uma simples foto de férias no Facebook. Nela, Daniel Motta, jornalista de 29 anos, posava em Pipa, uma das principais praias do estado do Rio Grande do Norte.

Tudo corria normal, com muitas manifestações carinhosas de amigos. Até que um deles se excedeu: “Depois da Lei Áurea, tudo é possível”, dizia o comentário que, ao ultrapassar os limites da maldade, tornava-se a prova, irrefutável, de um crime.

Daniel é negro, paraibano e não está sozinho. Ele é apenas um dentre milhares de pessoas que sofrem com atitudes preconceituosas todos os dias. Nos últimos anos, vários casos estamparam as capas dos jornais brasileiros e ficaram famosos.

O racismo contra o goleiro Aranha, do Santos Futebol Clube, e o ódio destinado aos nordestinos nas eleições presidenciais de 2014 foram os mais emblemáticos. Mal parece que, dia 3 de julho de 1951, Getúlio Vargas já teria sancionado a primeira lei que tornava crime qualquer tipo de discriminação racial no Brasil.

Mais tarde, em 1989, o então presidente José Sarney ampliou a abrangência. A partir daí, pessoas que tivessem atitudes preconceituosas por motivo de etnia, religião e procedência nacional também seriam criminalizadas.

“Serão punidos os crimes resultantes de discriminação (...) por raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional”, diz o artigo 1º da Lei nº 7.716/89.

Embora de lá para cá tenham se passado mais de 25 anos, punições para tais delitos são muito, muito raras no país. Para piorar, esse tipo de comportamento não é uma exclusividade tupiniquim.

Já há muito tempo é possível acompanhar inúmeras situações análogas pelo mundo: italianos e alemães ao homenagearem nazistas, americanos e franceses ao discriminarem estrangeiros, russos e espanhóis ao atirarem bananas em jogadores de futebol africanos e por aí vai. 

Foras da lei

O mais desesperador é saber que mesmo a Constituição atual já está ultrapassada. Ela não faz menção a preconceitos muito importantes. Como é o caso, por exemplo, de um dos grupos que mais sofre na atualidade: lésbicas, gays, bissexuais e travestis.

Discriminar tais populações ainda não é crime por aqui. E isso é grave. Segundo o Grupo Gay da Bahia – ONG responsável por computar assassinatos da população LGBT –, um homossexual é morto a cada 28 horas no país, dado que coloca o Brasil na liderança em mortes de transexuais no relatório da Transgender Europe.

O discurso de ódio aos LGBTs é tão comum que, no debate do primeiro turno à presidência da república, foi possível presenciar algo lamentável. Um dos candidatos sentiu-se suficientemente à vontade para utilizar, em rede nacional, expressões de muito mau gosto ao se referir a homossexuais, o que lhe rendeu duras repreensões no encontro seguinte.

“Fosse crime, o senhor sairia daquele debate algemado”, rebateu uma de suas adversárias.

A “proteção” do online

O eventual anonimato da internet também é preocupante por estimular comportamentos discriminatórios. Segundo Leonardo Zanatta, advogado especialista em Direito Digital, esse já é o meio onde mais ocorre o preconceito.

“O que é feito no mundo virtual repercute no real”, pontua ele. A rede é, portanto, meio, não fim. Por isso, ser preconceituoso ali ainda rende pouquíssimos problemas. Além disso, a segurança da distância física contribui muito para que até pessoas esclarecidas se utilizem desse expediente para tal.

Não à toa, foi cunhada nos últimos anos a expressão bullying, que designa o comportamento discriminatório de uma ou muitas pessoas sobre outra. Nas escolas, o assunto deixou o plano da eventualidade para se tornar um problema real. As crianças sofrem ataques também quando já estão em casa por meio das redes sociais virtuais.

O que fazer?

A auto-observação é o primeiro e fundamental exercício, visto que os papéis se confundem. Possivelmente, em algum momento da vida, o preconceituoso será vítima e vice-versa. Em ambos os lugares, há sofrimento e é recomendável buscar ajuda especializada em terapias e afins.

Mas de onde vem essa vontade incontrolável em julgar os outros sem ao menos conhecê-los? A psicopedagoga Mariana Saraiva tem um palpite.

Para ela, o preconceito é natural do ser humano. “Cada um tem os seus (preconceitos). Só não é justo fazer o outro sofrer por algo que não é dele. Portanto, identifique-os, guarde para si e trabalhe-os em terapia ou da maneira que prefira. Eles desaparecerão a partir do momento em que você se dedicar a entendê-los”, diz.

Já a parte que sofre a discriminação, no geral, tem seu emocional completamente afetado. Sente raiva e, muitas vezes, vergonha. Esse constrangimento chega ao ponto da vítima sequer seguir com suas queixas.

A psicóloga Marisa Abreu explica que o famoso “deixa pra lá” pode resolver a situação por um período, mas não é o ideal. "Além de ser impossível guardar de maneira saudável essas mágoas, não compartilhá-las impede que os outros possam amadurecer com relação ao assunto”, afirma.

Lina Cavalcante é exemplo disso. A jornalista, hoje com 33 anos, passou por maus bocados quando ainda era uma criança. Cearense, ao mudar de Fortaleza para São Paulo, teve que enfrentar barras bem pesadas.

Ela não entendia porque tudo o que era feio, cafona e pobre, para os paulistanos, era considerado “baiano”. Não entendia porque tudo o que parecia defeituoso, na opinião deles, vinha do Nordeste. E não compreendia o total desconhecimento das pessoas e falta de interesse por entender as singularidades da sua terra.

Até que, certa vez, discutiu com um amigo da escola que a chamou de suja. Ao questioná-lo sobre a ofensa, ele emendou: “Só porque você é baiana". Aquilo foi a gota d'água. De tanta tristeza, Lina teve uma séria disfunção da articulação temporomandibular (ATM), que travou-lhe a boca.

Após esse episódio, com a ajuda da família, teve que aprender a enfrentar o problema de outra maneira. “Continuei defendendo o que acredito, mas sem deixar que me machuquem tanto. Contra o preconceito, eu uso a minha inteligência, minha força, meu humor e todos os meios de denúncia que tiverem ao meu alcance”, desabafa.

Lina encontrou a melhor forma de se proteger e agir como uma legítima cidadã. “Só dessa maneira, a sociedade tomará ciência da gravidade dos fatos e do quão intenso deve ser o combate a eles”, explica Zanatta. Um boletim de ocorrência pode ser feito em qualquer delegacia. Em alguns estados, é possível gerar o B.O. até pela internet.

Para fazer a denúncia, o governo federal disponibiliza o Disque 100, mais conhecido como Disque Direitos Humanos. Basta ligar 100 de qualquer aparelho telefônico do Brasil. A chamada é gratuita, pode ser feita em caráter de sigilo, articula sua queixa com organizações da sociedade e outros órgãos públicos - como a Polícia Federal - e ainda monitora os resultados. Saiba mais sobre o serviço no site.

Preconceito

Tudo o que falta

Sandra Pereira, 41 anos, revisora de textos, foi outra vítima desse mal. Morou 15 anos em Salvador e, lá, fez graduação em Letras, pós-graduação em Língua Portuguesa e especialização em Alfabetização Infantil. Ao voltar para São Paulo, foi desqualificada em uma entrevista de emprego.

O motivo? Todos os seus cursos haviam sido feitos na Bahia. Disse-lhe a contratante, em tom de deboche: “Nessa escola, ao contrário do que você fazia em Salvador, terá que trabalhar”.

Foram muitas as decepções até conseguir se realocar na metrópole. Mas Sandra seguiu em frente, serena. Para ela, tudo isso só mudará quando as pessoas entenderem que qualquer cidade, país ou nação é feita de pessoas, com diferentes saberes, cores e tantas peculiaridades.

“A compreensão disso engloba um entendimento muito mais amplo, de que a diferença não é uma escala de valores. Ninguém é melhor ou pior. Ser diferente é simplesmente não ser igual. Chegaremos a isso algum dia, é o que espero”. 

Nós também, Sandra. Nós também.

O método da pulseira de borracha mudou a forma como crio meus filhos

Sabe aquela sensação estranha de ouvir a sua voz numa gravação? Comigo foi pior...

Duas semanas atrás, fui à última aula prática de natação da minha filha e, para o grande dia, todos os alunos tinham que saltar do trampolim.

Eu tinha o meu iPhone na mão e estava pronta para registrar o momento, quando, de repente, minha filha mais velha levantou-se para ver melhor... bem na minha frente.

Eu pensei que tinha pedido calmamente e com boas maneiras para que ela saísse dali, apesar de ter que repetir três vezes antes que me ouvisse. Estava tudo bem, até que vi o vídeo e ouvi minha própria voz.

Sempre sou tão má quando falo com meus filhos?

Quem era aquela mulher? Quando eu me tornei uma voz má? Estava aterrorizada!!! Tinha que fazer alguma coisa. E foi aí que eu descobri um artigo chamado "Como educar o seu filho: o método da pulseira de borracha". O autor sugere que os pais usem três desses acessórios como lembretes para elogiar seus filhos durante o dia.

Basicamente, você começa o dia com três pulseiras no pulso direito. Cada vez que elogiar seu filho, passa uma delas para o seu pulso esquerdo. O objetivo é terminar o dia com três pulseiras no pulso contrário.

O problema é que, no meu eterno esforço para criar três filhos e ensinar-lhes a diferença entre o bem e o mal, acabo sentindo que me tornei um sargento educacional que quer ser ouvido por todos.

Muitas vezes, chamo as crianças mais novas com nomes pejorativos quando elas devem sair de casa e entrar no carro correndo. Se você já esteve nessa situação, sabe o que quero dizer.

Vejo-me repreendendo as crianças quando elas não escutam e até as subestimo quando o fazem. E, às vezes – sim, às vezes – me pergunto se estou criando as piores crianças do mundo. Por que não me escutam quando eu peço que façam alguma coisa?

Claro, elas são pequenas e é isso o que crianças fazem. E eu amo muito os meus filhos, muitíssimo, e eu tento dizer sempre que eles são surpreendentes. Elogio seus desenhos, seus bons trabalhos e seu esforço para tocar o piano.

Mas eu os elogio cada vez que me escutam? Ou quando fazem seu dever de casa sem que eu peça? Elogio o comportamento deles o suficiente?

A resposta é simples: não.

As pulseiras no meu pulso serviram como um lembrete físico para encontrar momentos para elogiar meus filhos. Era como um jogo: cada vez que eu tinha uma palavra gentil para dizer a eles, estava a um passo de completar o pulso oposto com as pulseiras.

Perguntei-me se poderia usar o método para quando me ouvissem, já que era ali que eu estava falhando – e valia e pena tentar. Depois de tudo, parecia algo fácil de ser feito.

O resultado foi fantástico. Não tenho palavras para descrever.

Para começar, mudou a minha perspectiva completamente. Descobri que o meu "radar de mãe" estava mais voltado para o mal do que para o bem no que se refere ao comportamento das crianças e eu ignorava todas as coisas boas que os meus filhos faziam todos os dias.

Quando comecei a procurar oportunidades para elogiá-los, foi muito fácil encontrar três situações! No primeiro dia com as pulseiras, sequer tive que me esforçar. Ao anoitecer, já tinha mudado todas de braço.

Com minhas velhas táticas de sargento, eu estava tão ocupada tentando fazer meus filhos ouvirem cada coisinha, que acabava ignorando todos os comportamentos bons que eles tinham todos os dias.

Quando as pulseiras me incentivaram a "me concentrar no que era bom", fizeram meu cérebro perceber como meus filhos se comportam sob uma nova ótica. E eles não são terríveis. Como eu pude pensar isso? Essas crianças são incríveis! Eu é que não estava observando com os olhos adequados.

A segunda razão pela qual amei este método foi a diferença que vi na atitude dos meus filhos, especialmente na mais velha. Eu podia ver nos seus olhos dela que apreciava o fato de eu estar notando o que ela fazia.

Não só isso, esse reconhecimento dos seus esforços fez com que ela melhorasse. Em vez de forçá-la a fazer suas tarefas, ela começou a querer me ajudar. Queria ser elogiada. Desejava que eu a visse.

Eu realmente subestimei tanto seu comportamento antes? Estava tão ocupada tentando fazê-la parar de brigar com seus irmãos o tempo todo que esquecia de dizer que ela tinha feito um grande trabalho ao me ajudar a limpar a mesa.

O olhar em seus olhos quando quando chamei a atenção dela, dizendo: "Eu vejo você", realmente quebrou meu coração pelo fato que deveria fazer isso com mais frequência.

Como foi possível que chegamos tão longe sem fazer isso antes?

Isso é algo que ainda estou fazendo. Não acho que você precise usar pulseiras de borracha todos os dias, para o resto de sua vida, mas sugiro que pense nisso. É tão simples, então por que não tentar? Certamente não vai doer.

Eu não posso mudar a maneira como falei com a minha filha naquele dia na piscina, mas posso mudar a forma de falar com ela no futuro. E isso é exatamente o que eu espero fazer.