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Estamos criando uma geração solitária?





E esse equilíbrio de estar próximo, sem perder a autoridade, é apenas um dos desafios que teremos que enfrentar para criarmos nossas crianças.


Queremos que nossos filhos se sintam à vontade para nos contar tudo, pois sabemos que, dessa forma, podemos guiá-los com mais segurança. Queremos que eles nos falem sobre a escola, os amigos, suas angústias, seus medos. Mas, por outro lado, não nos resta muito tempo no dia para essa convivência.


Nós, mães, queremos estar cada vez mais envolvidas com o mercado de trabalho, para sermos tão valorizadas ali quanto os homens. Já os pais querem estar mais presentes, querem realmente participar da vida em família, mas também não abriram mão de seus sonhos profissionais, nem diminuíram seu ritmo nas empresas para alcançarem esse objetivo.


Estamos tendo cada vez menos filhos - se na nossa infância uma família com vários irmãos era a regra, hoje é a exceção. E no meio dessa bagunça toda estão nossos pequeninos.


Acho que esse é um assunto delicado, mas sobre o qual precisamos pensar. E não é para colocar a culpa na cabeça da mãe que não quer deixar sua carreira depois do fim da licença-maternidade - afinal, ela batalhou muito por isso, e é justo que tenha sua independência, sua valorização, sua realização como profissional.


Também não é para por o dedo na ferida do pai que deseja estar mais presente, mas não tem a mínima ideia de como fazer isso (nem tem o apoio de leis que ampliam a licença-paternidade e a possibilidade de sua participação nos primeiros anos do filho, que tanto exigem de seus cuidadores).


Aqui, no Brasil, não estamos ainda preparados para essa realidade e, infelizmente, não restam muitas alternativas para essas famílias do que "terceirizar" os filhos. Nossas escolas não são preparadas para atuar em horário estendido, como acontece em países da Europa e nos Estados Unidos.


Às vezes me pego pensando que estamos criando uma geração solitária. Com pouca chance de convivência com pessoas que façam parte de seu círculo permamente (avós, tios, primos moram cada vez mais longe).


Mudamos geograficamente com maior frequência para nos adaptarmos aos nossos empregos - assim, acabamos não formando aquela "turminha do bairro" de longa data, como nossos pais diziam ter quando eram pequenos.


Eu não tenho uma resposta pronta para esse conflito, nem uma sugestão que sirva para todas as famílias.


Por aqui, só estou colocando atenção no ponto, tentando proporcionar à minha filha momentos cada vez mais frequentes que reforcem esses vínculos. Estou abrindo mão de certas realizações para estar mais presente. Dá trabalho, mas eu acredito que esse é o caminho.


(Foto: 123RF)


Estamos criando uma geração solitária?

E esse equilíbrio de estar próximo, sem perder a autoridade, é apenas um dos desafios que teremos que enfrentar para criarmos nossas crianças.
Queremos que nossos filhos se sintam à vontade para nos contar tudo, pois sabemos que, dessa forma, podemos guiá-los com mais segurança. Queremos que eles nos falem sobre a escola, os amigos, suas angústias, seus medos. Mas, por outro lado, não nos resta muito tempo no dia para essa convivência.
Nós, mães, queremos estar cada vez mais envolvidas com o mercado de trabalho, para sermos tão valorizadas ali quanto os homens. Já os pais querem estar mais presentes, querem realmente participar da vida em família, mas também não abriram mão de seus sonhos profissionais, nem diminuíram seu ritmo nas empresas para alcançarem esse objetivo.
Estamos tendo cada vez menos filhos - se na nossa infância uma família com vários irmãos era a regra, hoje é a exceção. E no meio dessa bagunça toda estão nossos pequeninos.
Acho que esse é um assunto delicado, mas sobre o qual precisamos pensar. E não é para colocar a culpa na cabeça da mãe que não quer deixar sua carreira depois do fim da licença-maternidade - afinal, ela batalhou muito por isso, e é justo que tenha sua independência, sua valorização, sua realização como profissional.
Também não é para por o dedo na ferida do pai que deseja estar mais presente, mas não tem a mínima ideia de como fazer isso (nem tem o apoio de leis que ampliam a licença-paternidade e a possibilidade de sua participação nos primeiros anos do filho, que tanto exigem de seus cuidadores).
Aqui, no Brasil, não estamos ainda preparados para essa realidade e, infelizmente, não restam muitas alternativas para essas famílias do que "terceirizar" os filhos. Nossas escolas não são preparadas para atuar em horário estendido, como acontece em países da Europa e nos Estados Unidos.
Às vezes me pego pensando que estamos criando uma geração solitária. Com pouca chance de convivência com pessoas que façam parte de seu círculo permamente (avós, tios, primos moram cada vez mais longe).
Mudamos geograficamente com maior frequência para nos adaptarmos aos nossos empregos - assim, acabamos não formando aquela "turminha do bairro" de longa data, como nossos pais diziam ter quando eram pequenos.
Eu não tenho uma resposta pronta para esse conflito, nem uma sugestão que sirva para todas as famílias.
Por aqui, só estou colocando atenção no ponto, tentando proporcionar à minha filha momentos cada vez mais frequentes que reforcem esses vínculos. Estou abrindo mão de certas realizações para estar mais presente. Dá trabalho, mas eu acredito que esse é o caminho.
(Foto: 123RF)

20 coisas que você não pode deixar de dizer ao seu filho


O tempo passa rápido demais. Por isso, a hora de falar é agora!



20 coisas que você não pode deixar de dizer ao seu filho



Minha filha me perguntou, então: "por que ela não gosta mais de mim?". Expliquei que não era isso o que havia acontecido - que elas continuavam amigas, que voltariam a brincar, e que ela também poderia procurar a companhia de tantas outras crianças bacanas de sua classe. Mas me partiu o coração vê-la triste - e esse foi o estopim para que eu começasse a pensar em tudo o que eu gostaria de dizer para que minha filha soubesse um pouco mais sobre a vida.


Porque, no fundo, tudo o que nossos pais nos contam marcam profundamente nossa percepção sobre o mundo. É como se essas frases se tornassem o "grilo falante", aquela voz que nos lembra de onde viemos, qual é o nosso papel no mundo, e, principalmente, o quanto somos amados, nos momentos de dificuldade. Por isso, filha, eu gostaria que você soubesse:


1) Que eu te amo exatamente como você é - e que você não precisa ser diferente para que eu a ame mais, pois isso seria impossível.


2) Que você tem um porto seguro em casa, e que você pode voltar sempre (SEMPRE!) que precisar.


3) Que nem todos os dias da sua vida serão felizes, e que, mesmo assim, está tudo bem. Porque depois de uma fase difícil, sempre haverá um dia com o céu azul.


4) Que tudo bem ficar triste de vez em quando, e que isso acontece com todo mundo (inclusive comigo).


5) Que os seres humanos sentem raiva, e que você também terá esse sentimento. Nesse momento, o melhor remédio é tentar se colocar no lugar do outro, entender seus motivos e perdoá-lo.


6) Que não basta perdoar os outros, é preciso, principalmente, aprender a perdoar as próprias falhas.


7) Que eu escuto quando você fala. Certo, há momentos em que estou doida, fazendo dez coisas ao mesmo tempo, mas se você me der cinco minutos, me organizarei para ouvir apenas o que você tem para me contar.


8) Que você não precisa ter pressa. Leve o tempo que for preciso, mas faça bem feito.


9) Que você é forte - mesmo que pense o contrário.


10) Que eu confio em você.


11) Que tenho orgulho de ser sua mãe.


12) Que nem todas as pessoas de quem você virá a gostar, também gostarão de você. Mas saiba que aquelas que realmente valem a pena te amarão de verdade.


13) Que você pode chorar. É melhor do que guardar a mágoa dentro de você.


14) Que tudo bem pedir ajuda de vez em quando. E que você não é uma pessoa pior, ou mais fraca, por admitir que não consegue fazer sozinha.


15) Que você pode (e deve) mudar de ideia, se perceber que está no caminho errado. 


16) Que você não é perfeita, assim como eu também não sou.


17) Que você pode, um dia, magoar alguém. E que a primeira coisa que você deve fazer é se desculpar.


18) Que você tem valor, e que você não deve deixar que alguém diga o contrário nunca (NUNCA!).


19) Que você é valente - posso ver isso em seu coração. Olhe lá dentro sempre que sentir medo, que você verá isso também.


20) Que estou feliz por você ter nascido. E que você fez minha vida muito melhor!





(Foto: Getty Images)


20 coisas que você não pode deixar de dizer ao seu filho

O tempo passa rápido demais. Por isso, a hora de falar é agora!

20 coisas que você não pode deixar de dizer ao seu filho
Minha filha me perguntou, então: "por que ela não gosta mais de mim?". Expliquei que não era isso o que havia acontecido - que elas continuavam amigas, que voltariam a brincar, e que ela também poderia procurar a companhia de tantas outras crianças bacanas de sua classe. Mas me partiu o coração vê-la triste - e esse foi o estopim para que eu começasse a pensar em tudo o que eu gostaria de dizer para que minha filha soubesse um pouco mais sobre a vida.
Porque, no fundo, tudo o que nossos pais nos contam marcam profundamente nossa percepção sobre o mundo. É como se essas frases se tornassem o "grilo falante", aquela voz que nos lembra de onde viemos, qual é o nosso papel no mundo, e, principalmente, o quanto somos amados, nos momentos de dificuldade. Por isso, filha, eu gostaria que você soubesse:
1) Que eu te amo exatamente como você é - e que você não precisa ser diferente para que eu a ame mais, pois isso seria impossível.
2) Que você tem um porto seguro em casa, e que você pode voltar sempre (SEMPRE!) que precisar.
3) Que nem todos os dias da sua vida serão felizes, e que, mesmo assim, está tudo bem. Porque depois de uma fase difícil, sempre haverá um dia com o céu azul.
4) Que tudo bem ficar triste de vez em quando, e que isso acontece com todo mundo (inclusive comigo).
5) Que os seres humanos sentem raiva, e que você também terá esse sentimento. Nesse momento, o melhor remédio é tentar se colocar no lugar do outro, entender seus motivos e perdoá-lo.
6) Que não basta perdoar os outros, é preciso, principalmente, aprender a perdoar as próprias falhas.
7) Que eu escuto quando você fala. Certo, há momentos em que estou doida, fazendo dez coisas ao mesmo tempo, mas se você me der cinco minutos, me organizarei para ouvir apenas o que você tem para me contar.
8) Que você não precisa ter pressa. Leve o tempo que for preciso, mas faça bem feito.
9) Que você é forte - mesmo que pense o contrário.
10) Que eu confio em você.
11) Que tenho orgulho de ser sua mãe.
12) Que nem todas as pessoas de quem você virá a gostar, também gostarão de você. Mas saiba que aquelas que realmente valem a pena te amarão de verdade.
13) Que você pode chorar. É melhor do que guardar a mágoa dentro de você.
14) Que tudo bem pedir ajuda de vez em quando. E que você não é uma pessoa pior, ou mais fraca, por admitir que não consegue fazer sozinha.
15) Que você pode (e deve) mudar de ideia, se perceber que está no caminho errado. 
16) Que você não é perfeita, assim como eu também não sou.
17) Que você pode, um dia, magoar alguém. E que a primeira coisa que você deve fazer é se desculpar.
18) Que você tem valor, e que você não deve deixar que alguém diga o contrário nunca (NUNCA!).
19) Que você é valente - posso ver isso em seu coração. Olhe lá dentro sempre que sentir medo, que você verá isso também.
20) Que estou feliz por você ter nascido. E que você fez minha vida muito melhor!

(Foto: Getty Images)

Mãe é tudo igual? Ah, não é não!


Dizem que mãe só muda de endereço. Mas se você observar com maior cuidado, vai ver que a verdade é bem diferente!



Mãe é tudo igual? Ah, não é não!



Respondo mais de cinquenta mensagens por dia, sem falar em comentários nas redes sociais e no meu blog pessoal. Resumindo: eu conheço tantas mães que já não consigo estimar quantas são!


E todas as vezes em que escrevo um post com o qual as leitoras se identificam, fico pensando em quantas coisas todas nós, mães, temos em comum. Lutamos com unhas e dentes por um filho, e muitas vezes colocamos sua felicidade acima da nossa. Aguardamos sua chegada com ansiedade, nos desdobramos nos cuidados diários, choramos, rimos, nos orgulhamos... Sentimos que o melhor pagamento do mundo é um sorriso, e que não há nada que possa nos ferir mais do que sua lágrima. E pensando em todas essas reações, comuns a todas as mães que conheço, eu poderia chegar à conclusão de que o ditado "mães são todas iguais, só mudam de endereço" estaria certo. 


Mas quanto mais mergulho no mundo da maternidade, mais vejo que isso não é verdade. Somos todas muito diferentes uma da outra, com alguns pontos parecidos. Encaramos o parto, a amamentação, a educação de um filho com filtros culturais e ditados pela sociedade que nos rodeia. E isso faz cada uma de nós única - inclusive com um tempo e espaço definidos. Hoje, eu sou uma mãe para Catarina; amanhã, certamente, serei outra. E se tivesse um segundo filho, também seria uma mãe diferente para cada um deles.


Assim, cheguei à conclusão de que:


- Há mães que nunca teriam um parto normal, porque não podem pensar em sentir dor.


- Há mães que não cogitariam uma cesárea, porque acreditam que a melhor forma de trazer uma criança ao mundo seja sem uma cirurgia.


- Há mães que optaram pelo parto normal ou pela cesárea, mas tiveram que mudar de ideia na última hora.


- Há mães que amamentaram exclusivamente até os 6 meses de vida do bebê.


- Há mães que não amamentaram ou que complementaram o peito com leite artificial.


- Há mães que deixam o filho dormir em sua cama.


- Há mães que colocaram o filho no berço desde que ele chegou da maternidade.


- Há mães que acordam a noite inteira para amamentar o filho ou levá-lo ao banheiro.


- Há mães que dormem oito horas ininterruptas por dia desde que o filho tinha três meses de vida.


- Há mães que deixam o filho ganhar um jogo para que não fique triste.


- Há mães que não deixam o filho ganhar para ensiná-lo a perder.


- Há mães que continuam a usar maquiagem, salto alto e roupas da moda depois que o filho nasce.


- Há mães que passam a usar cara lavada e sapatilha e estão muito felizes com sua escolha.


- Há mães que não viajam sem os filhos, mesmo que tenham dez anos de idade.


- Há mães que deixam os filhos ainda bebês com o pai e pegam um voo para uma reunião em outra cidade.





Enfim, somos muito diferentes uma da outra, mas tem horas que só uma outra mãe para nos entender!





(Foto:Tobias Lindman/Creative Commons)


Mãe é tudo igual? Ah, não é não!

Dizem que mãe só muda de endereço. Mas se você observar com maior cuidado, vai ver que a verdade é bem diferente!

Mãe é tudo igual? Ah, não é não!
Respondo mais de cinquenta mensagens por dia, sem falar em comentários nas redes sociais e no meu blog pessoal. Resumindo: eu conheço tantas mães que já não consigo estimar quantas são!
E todas as vezes em que escrevo um post com o qual as leitoras se identificam, fico pensando em quantas coisas todas nós, mães, temos em comum. Lutamos com unhas e dentes por um filho, e muitas vezes colocamos sua felicidade acima da nossa. Aguardamos sua chegada com ansiedade, nos desdobramos nos cuidados diários, choramos, rimos, nos orgulhamos... Sentimos que o melhor pagamento do mundo é um sorriso, e que não há nada que possa nos ferir mais do que sua lágrima. E pensando em todas essas reações, comuns a todas as mães que conheço, eu poderia chegar à conclusão de que o ditado "mães são todas iguais, só mudam de endereço" estaria certo. 
Mas quanto mais mergulho no mundo da maternidade, mais vejo que isso não é verdade. Somos todas muito diferentes uma da outra, com alguns pontos parecidos. Encaramos o parto, a amamentação, a educação de um filho com filtros culturais e ditados pela sociedade que nos rodeia. E isso faz cada uma de nós única - inclusive com um tempo e espaço definidos. Hoje, eu sou uma mãe para Catarina; amanhã, certamente, serei outra. E se tivesse um segundo filho, também seria uma mãe diferente para cada um deles.
Assim, cheguei à conclusão de que:
- Há mães que nunca teriam um parto normal, porque não podem pensar em sentir dor.
- Há mães que não cogitariam uma cesárea, porque acreditam que a melhor forma de trazer uma criança ao mundo seja sem uma cirurgia.
- Há mães que optaram pelo parto normal ou pela cesárea, mas tiveram que mudar de ideia na última hora.
- Há mães que amamentaram exclusivamente até os 6 meses de vida do bebê.
- Há mães que não amamentaram ou que complementaram o peito com leite artificial.
- Há mães que deixam o filho dormir em sua cama.
- Há mães que colocaram o filho no berço desde que ele chegou da maternidade.
- Há mães que acordam a noite inteira para amamentar o filho ou levá-lo ao banheiro.
- Há mães que dormem oito horas ininterruptas por dia desde que o filho tinha três meses de vida.
- Há mães que deixam o filho ganhar um jogo para que não fique triste.
- Há mães que não deixam o filho ganhar para ensiná-lo a perder.
- Há mães que continuam a usar maquiagem, salto alto e roupas da moda depois que o filho nasce.
- Há mães que passam a usar cara lavada e sapatilha e estão muito felizes com sua escolha.
- Há mães que não viajam sem os filhos, mesmo que tenham dez anos de idade.
- Há mães que deixam os filhos ainda bebês com o pai e pegam um voo para uma reunião em outra cidade.

Enfim, somos muito diferentes uma da outra, mas tem horas que só uma outra mãe para nos entender!

(Foto:Tobias Lindman/Creative Commons)

Estamos criando uma geração solitária?


Estamos criando uma geração solitária? E esse equilíbrio de estar próximo, sem perder a autoridade, é apenas um dos desafios que teremos que enfrentar para criarmos nossas crianças.


Queremos que nossos filhos se sintam à vontade para nos contar tudo, pois sabemos que, dessa forma, podemos guiá-los com mais segurança. Queremos que eles nos falem sobre a escola, os amigos, suas angústias, seus medos. Mas, por outro lado, não nos resta muito tempo no dia para essa convivência.


Nós, mães, queremos estar cada vez mais envolvidas com o mercado de trabalho, para sermos tão valorizadas ali quanto os homens. Já os pais querem estar mais presentes, querem realmente participar da vida em família, mas também não abriram mão de seus sonhos profissionais, nem diminuíram seu ritmo nas empresas para alcançarem esse objetivo.


Estamos tendo cada vez menos filhos - se na nossa infância uma família com vários irmãos era a regra, hoje é a exceção. E no meio dessa bagunça toda estão nossos pequeninos.


Acho que esse é um assunto delicado, mas sobre o qual precisamos pensar. E não é para colocar a culpa na cabeça da mãe que não quer deixar sua carreira depois do fim da licença-maternidade - afinal, ela batalhou muito por isso, e é justo que tenha sua independência, sua valorização, sua realização como profissional.


Também não é para por o dedo na ferida do pai que deseja estar mais presente, mas não tem a mínima ideia de como fazer isso (nem tem o apoio de leis que ampliam a licença-paternidade e a possibilidade de sua participação nos primeiros anos do filho, que tanto exigem de seus cuidadores).


Aqui, no Brasil, não estamos ainda preparados para essa realidade e, infelizmente, não restam muitas alternativas para essas famílias do que "terceirizar" os filhos. Nossas escolas não são preparadas para atuar em horário estendido, como acontece em países da Europa e nos Estados Unidos.


Às vezes me pego pensando que estamos criando uma geração solitária. Com pouca chance de convivência com pessoas que façam parte de seu círculo permamente (avós, tios, primos moram cada vez mais longe).


Mudamos geograficamente com maior frequência para nos adaptarmos aos nossos empregos - assim, acabamos não formando aquela "turminha do bairro" de longa data, como nossos pais diziam ter quando eram pequenos.


Eu não tenho uma resposta pronta para esse conflito, nem uma sugestão que sirva para todas as famílias.


Por aqui, só estou colocando atenção no ponto, tentando proporcionar à minha filha momentos cada vez mais frequentes que reforcem esses vínculos. Estou abrindo mão de certas realizações para estar mais presente. Dá trabalho, mas eu acredito que esse é o caminho.

Estamos criando uma geração solitária?

Estamos criando uma geração solitária? E esse equilíbrio de estar próximo, sem perder a autoridade, é apenas um dos desafios que teremos que enfrentar para criarmos nossas crianças.
Queremos que nossos filhos se sintam à vontade para nos contar tudo, pois sabemos que, dessa forma, podemos guiá-los com mais segurança. Queremos que eles nos falem sobre a escola, os amigos, suas angústias, seus medos. Mas, por outro lado, não nos resta muito tempo no dia para essa convivência.
Nós, mães, queremos estar cada vez mais envolvidas com o mercado de trabalho, para sermos tão valorizadas ali quanto os homens. Já os pais querem estar mais presentes, querem realmente participar da vida em família, mas também não abriram mão de seus sonhos profissionais, nem diminuíram seu ritmo nas empresas para alcançarem esse objetivo.
Estamos tendo cada vez menos filhos - se na nossa infância uma família com vários irmãos era a regra, hoje é a exceção. E no meio dessa bagunça toda estão nossos pequeninos.
Acho que esse é um assunto delicado, mas sobre o qual precisamos pensar. E não é para colocar a culpa na cabeça da mãe que não quer deixar sua carreira depois do fim da licença-maternidade - afinal, ela batalhou muito por isso, e é justo que tenha sua independência, sua valorização, sua realização como profissional.
Também não é para por o dedo na ferida do pai que deseja estar mais presente, mas não tem a mínima ideia de como fazer isso (nem tem o apoio de leis que ampliam a licença-paternidade e a possibilidade de sua participação nos primeiros anos do filho, que tanto exigem de seus cuidadores).
Aqui, no Brasil, não estamos ainda preparados para essa realidade e, infelizmente, não restam muitas alternativas para essas famílias do que "terceirizar" os filhos. Nossas escolas não são preparadas para atuar em horário estendido, como acontece em países da Europa e nos Estados Unidos.
Às vezes me pego pensando que estamos criando uma geração solitária. Com pouca chance de convivência com pessoas que façam parte de seu círculo permamente (avós, tios, primos moram cada vez mais longe).
Mudamos geograficamente com maior frequência para nos adaptarmos aos nossos empregos - assim, acabamos não formando aquela "turminha do bairro" de longa data, como nossos pais diziam ter quando eram pequenos.
Eu não tenho uma resposta pronta para esse conflito, nem uma sugestão que sirva para todas as famílias.
Por aqui, só estou colocando atenção no ponto, tentando proporcionar à minha filha momentos cada vez mais frequentes que reforcem esses vínculos. Estou abrindo mão de certas realizações para estar mais presente. Dá trabalho, mas eu acredito que esse é o caminho.

Mães no celular, filhos "esquecidos"




O assunto, aliás, tem sido discutido no mundo inteiro, depois que uma foto viralizou e a mãe foi julgada ao extremo por manter um recém-nascido no chão de um aeroporto enquanto manuseava o celular (a história não é bem assim, como foi esclarecida posteriormente pela companhia aérea).


A verdade é que, com a infinidade de aplicativos disponíveis e as redes sociais cada vez mais presentes na vida das pessoas, é normal passar mais tempo em frente a dispositivos eletrônicos. Só que esse hábito pode ter um reflexo na criação dos pequenos.


"A falta de atenção dos pais pode gerar na criança problemas de autoestima, solidão e timidez. Em outros casos, desenvolvem-se quadros de agressividade e agitação em uma busca desenfreada por atenção. A dificuldade de relacionamento com outras pessoas e a busca constante por aceitação são outros sintomas possíveis", lista a psicóloga Andréa Duarte.


Ela ressalta, no entanto, que o celular não é sempre vilão. Ele pode ser usado para gravar brincadeiras, assistir vídeos juntos ou brincar em aplicativos de jogos, por exemplo.


O limite entre o saudável e o prejudicial está na interferência do uso do celular nas demais atividades do cotidiano e, principalmente, nas relações interpessoais.  


"Quando estamos com o celular nas mãos, temos a falsa sensação de companhia. O grande problema está na necessidade constante de substituir o envolvimento real com outras pessoas pelo contato virtual", explica. 


Mais comum do que se imagina, esse quadro de necessidade exagerada de ter sempre o celular por perto é um vício e já tem nome específico: nomofobia. "Nesse caso, a pessoa chega a apresentar crises de ansiedade quando afastada do aparelho", conta a especialista em família.


O vício não só prejudica o vínculo entre pais e filhos como projeta para a criança um exemplo negativo sobre relações interpessoais. "Pelo comportamento dos pais, a criança entende que as relações virtuais sobrepõem as relações reais", argumenta.


Isso não significa que devemos vilanizar toda mãe que deixa o filho brincar sozinho e aproveita para conferir as redes sociais. Julgamentos vazios não refletem a realidade de cada família.


"Os filhos não precisam ser supervisionados a cada instante e devem ir ganhando autonomia gradativamente, ao longo do crescimento. Uma checada rápida nas redes sociais não a torna a pior mãe do mundo", afirma a psicoterapeuta Marli Gonçalves, para quem existe uma cobrança social muito grande em cima dos pais.


Marli salienta ainda que o mais importante é entender que existe momento para tudo. "O tempo com a criança deve ter qualidade. Ela deve sentir que há um envolvimento total naquele momento, sem distrações", pondera.


Heavy user de redes sociais, a fotógrafa Letícia*, 32 anos, tinha o hábito de checar o celular a cada 10, 15 minutos. "A desculpa eram os e-mails de trabalho, mas eu ficava mesmo era olhando redes sociais”, admite. O baque aconteceu quando Marina, sua filha de 5 anos, lhe pediu um celular de presente de aniversário.


“Perguntei para quê ela precisava do aparelho e ela respondeu: 'Pra gente conversar mais. Eu vou poder te mandar mensagem e você vai responder na hora'. Aquilo que mostrou o quanto eu estava negligenciando a minha filha", revela.


Hoje, a mãe encontrou o equilíbrio e trabalha com horários específicos para abrir e-mails e aplicativos de mensagens. "Se estou com minha filha, me dedico 100% a ela. Para mim, o pouco tempo que passamos juntas tem que ser memorável", afirma.


* Nome alterado a pedido da entrevistada.


(Foto: Getty Images)

Mães no celular, filhos "esquecidos"

O assunto, aliás, tem sido discutido no mundo inteiro, depois que uma foto viralizou e a mãe foi julgada ao extremo por manter um recém-nascido no chão de um aeroporto enquanto manuseava o celular (a história não é bem assim, como foi esclarecida posteriormente pela companhia aérea).
A verdade é que, com a infinidade de aplicativos disponíveis e as redes sociais cada vez mais presentes na vida das pessoas, é normal passar mais tempo em frente a dispositivos eletrônicos. Só que esse hábito pode ter um reflexo na criação dos pequenos.
"A falta de atenção dos pais pode gerar na criança problemas de autoestima, solidão e timidez. Em outros casos, desenvolvem-se quadros de agressividade e agitação em uma busca desenfreada por atenção. A dificuldade de relacionamento com outras pessoas e a busca constante por aceitação são outros sintomas possíveis", lista a psicóloga Andréa Duarte.
Ela ressalta, no entanto, que o celular não é sempre vilão. Ele pode ser usado para gravar brincadeiras, assistir vídeos juntos ou brincar em aplicativos de jogos, por exemplo.
O limite entre o saudável e o prejudicial está na interferência do uso do celular nas demais atividades do cotidiano e, principalmente, nas relações interpessoais.  
"Quando estamos com o celular nas mãos, temos a falsa sensação de companhia. O grande problema está na necessidade constante de substituir o envolvimento real com outras pessoas pelo contato virtual", explica. 
Mais comum do que se imagina, esse quadro de necessidade exagerada de ter sempre o celular por perto é um vício e já tem nome específico: nomofobia. "Nesse caso, a pessoa chega a apresentar crises de ansiedade quando afastada do aparelho", conta a especialista em família.
O vício não só prejudica o vínculo entre pais e filhos como projeta para a criança um exemplo negativo sobre relações interpessoais. "Pelo comportamento dos pais, a criança entende que as relações virtuais sobrepõem as relações reais", argumenta.
Isso não significa que devemos vilanizar toda mãe que deixa o filho brincar sozinho e aproveita para conferir as redes sociais. Julgamentos vazios não refletem a realidade de cada família.
"Os filhos não precisam ser supervisionados a cada instante e devem ir ganhando autonomia gradativamente, ao longo do crescimento. Uma checada rápida nas redes sociais não a torna a pior mãe do mundo", afirma a psicoterapeuta Marli Gonçalves, para quem existe uma cobrança social muito grande em cima dos pais.
Marli salienta ainda que o mais importante é entender que existe momento para tudo. "O tempo com a criança deve ter qualidade. Ela deve sentir que há um envolvimento total naquele momento, sem distrações", pondera.
Heavy user de redes sociais, a fotógrafa Letícia*, 32 anos, tinha o hábito de checar o celular a cada 10, 15 minutos. "A desculpa eram os e-mails de trabalho, mas eu ficava mesmo era olhando redes sociais”, admite. O baque aconteceu quando Marina, sua filha de 5 anos, lhe pediu um celular de presente de aniversário.
“Perguntei para quê ela precisava do aparelho e ela respondeu: 'Pra gente conversar mais. Eu vou poder te mandar mensagem e você vai responder na hora'. Aquilo que mostrou o quanto eu estava negligenciando a minha filha", revela.
Hoje, a mãe encontrou o equilíbrio e trabalha com horários específicos para abrir e-mails e aplicativos de mensagens. "Se estou com minha filha, me dedico 100% a ela. Para mim, o pouco tempo que passamos juntas tem que ser memorável", afirma.
* Nome alterado a pedido da entrevistada.
(Foto: Getty Images)

8 frases que nunca deveriam ser ditas pelos pais

Mesmo que aconteçam sem que os pais percebam, as crianças acabam sendo atingidas de muitas maneiras. Entre os efeitos negativos, sem dúvida, a diminuição da autoestima é o que mais se sobressai. Isso porque ela funciona como armadura contra os desafios do mundo. 
Se desejamos que a criança se sinta capaz e, ao mesmo tempo, amada para enfrentar os desafios, a maneira como falamos com ela determinará o olhar que terá sobre si mesma. “Os pais têm em suas mãos uma oportunidade única de ajudar seus filhos a gostarem deles mesmos e a superarem suas dificuldades logo nos primeiros anos de vida”, explica a terapeuta infantil Mônica Pessanha.
"A Valentina gosta muito de brincar de mamãe e filhinho, sempre me usando como referência”, conta a mãe Cauane Maciel. Esse foi o momento em que Cauane percebeu que a filha de 3 anos a imitava em seu jeito de ser e falar.
“Eu tinha o costume de falar em um tom mais alto, em vez de firme, e de apontar o dedo. E ela fazia da mesma maneira com os amiguinhos e bonecas”, relata.
Essa atitude da criança fez com que Cauane se sentisse mal, pois via que Valentina repetia uma ação que não deveria servir como inspiração. “Um dia sentei com ela e expliquei que era muito feio fazer aquilo, que a mamãe também estava errada em agir daquela maneira e que as coisas iriam ser diferentes”, conta. Desde então, a mãe mudou a forma de dar broncas e, hoje, Valentina continua imitando Cauane, mas de uma maneira mais positiva.
A seguir, confira 8 frases que nunca deveriam ser ditas pelos pais, segundo a psicoterapeuta de família Marilia Gabriela Leme e a terapeuta Mônica Pessanha. 
"Você nunca faz nada direito”
Esse tipo de frase envergonha e incapacita a criança. “Embora muitas pessoas pensem que a vergonha é uma boa forma de punir as crianças, na verdade isso impede que elas consigam as ferramentas de que precisam para desenvolver suas habilidades”, elucida Mônica. A longo prazo, a vergonha vai tornar a criança menos capaz de tomar as decisões certas. Vale lembrar que vergonha é diferente de culpa (o que pode realmente ser uma emoção saudável) porque contém sentimentos de remorso e responsabilidade. Em vez disso, use frases em que haja ensinamento: "Querido, você fez de um jeito diferente do que a mamãe estava acostumada, o que acha se eu lhe mostrar como fazer?".
"Os homens são todos iguais”
Esta frase impacta profundamente não só a relação da criança com a figura paterna, como também na relação dela com a figura masculina.
"Por que fui ter filhos?"
É bom lembrar que o fato de uma mãe dizer isso não a torna um monstrinho. Todas nós somos capazes de sentir coisas negativas em determinados momentos de nossas vidas. Depois de um dia difícil no trabalho ou diante da dificuldade financeira, na própria TPM, pode ser que você pense: "Às vezes, eu desejo não ter tido filhos", mas com certeza esse sentimento não dura mais do que o momento da fala, ou seja, um segundo. É importante compreender que é algo "do momento" e não expressa seu real sentimento. O problema está no fato de que a criança pode compreender que o relacionamento entre vocês é frágil e pode se quebrar a qualquer instante. Se ela começa a pensar que não tem nada a perder, incluindo seu carinho, irá refletir um comportamento cada vez mais inadequado. Nos momentos de tensão, tente respirar fundo e se ausentar da situação conflitante para que as palavras ditas não sejam perigosas nas relações.
"Eu não tenho tempo agora"
Talvez essa seja a frase mais falada nos últimos tempos. Cada dia mais os pais têm se envolvido com seus trabalhos e, nos momentos de lazer, preocupam-se mais com seu próprio descanso. Quando dizemos: "Eu não tenho tempo", o que estamos realmente dizendo é: "O que eu estou fazendo é mais importante do que o que você precisa" ou "Não há outra coisa que eu preferia estar fazendo". Na verdade, isso não é real, pois o mais importante é passar o tempo com os filhos e familiares.
"Você é só uma criança e não entende nada"
As crianças devem ser preservadas de alguns diálogos que só cabem aos pais ou adultos. No entanto, isso não significa que elas não saibam de nada. Muitas vezes os pequenos não sabem o que fazer com aquilo que compreendem porque não depende deles! É mais precioso buscar entender o que elas estão interpretando sobre o que estão vivendo.
"Não chore"
Quando os pais dizem aos seus filhos para não chorarem, eles estão invalidando seus sentimentos. Isso pode fazer a criança guardar seus sentimentos, o que, em última instância, pode levar a uma explosão de emoções. Todo mundo precisa chorar às vezes. A gente não precisa ser forte o tempo todo. Permitir que o choro aconteça ajudará a criança a compreender seus sentimentos em relação à situação que estará vivenciando, como um conflito na escola, por exemplo. Diga: "Você realmente está desapontado com sua amiga, né? O que aconteceu?". Falar de forma que a criança exponha o que sente pode ajudá-la a equilibrar suas emoções, o que é uma habilidade crucial durante toda a vida.
"Eu prometo"
As crianças acreditam em tudo que os adultos falam, principalmente os pais. Mas os pais, na maioria das vezes, esquecem que coisas inesperadas acontecem e que nem sempre irão conseguir cumprir com o combinado, por exemplo, de irem ao cinema juntos. É melhor trabalhar com a ideia de que farão o possível para que o passeio aconteça, pois, quando os pais prometem algo e não cumprem, ensinam aos filhos que palavras podem ser quebradas e o princípio da honestidade vai por água abaixo.
"Você é igualzinho ao seu pai"
Mesmo que soe bastante inofensivo, esse tipo de frase é extremamente negativo para a criança. Quando o pai é frequentemente criticado em casa e essa frase é usada para descrever ou caracterizar a criança, ela pode ficar confusa sobre suas qualidades e as qualidades do pai. Os adultos precisam separar suas histórias das de seus filhos. Quando acharem que a criança está apresentando um comportamento que julguem inapropriado ou que os façam lembrar daquilo de que não gostam em seus companheiros, devem tentar fazer reforço positivo sobre o comportamento. Por exemplo: "Gosto quando você coloca sua mochila em seu quarto”, em vez de: "Puxa, você sempre deixa a mochila fora do lugar, parece seu pai”.
(Foto: Getty Images)

As mil e uma acordadas noturnas de uma mãe!

Eu me lembro direitinho de uma das maiores mentiras que me contaram sobre a maternidade: "Fique tranquila, que com 3 meses sua filha vai dormir a noite toda!". Eu não ouvi isso de apenas uma pessoa: ouvi de várias mulheres, que são mães de outra geração (aliás, seus filhos têm hoje a minha idade). 

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Missão cinema... sem as crianças
Não sei se nossas crianças são completamente diferentes do que fomos quando bebês, mas a verdade é que o tempo passa, e eu continuo me perguntando quando dormirei noites inteiras (por algumas semanas ininterruptas, já estaria valendo!).

Minha filha tem 4 anos de idade, e vira e mexe me dá um trabalhão durante as madrugadas. Viajamos recentemente, ficamos no mesmo quarto, e, quando retornamos, minhas noites viraram ao avesso: a pequena tem me chamado uma média de cinco vezes a cada madrugada

Conseguem imaginar a minha (não) disposição para executar qualquer tarefa no dia seguinte? Eis um exemplo do que tem acontecido por aqui:

Acordada 1:

- Mãe, estou com sede, quero água.

- Filha, dorme que é madrugada. Não precisa tomar água, senão você vai ter vontade de fazer xixi.

- Mas, mãe, minha boca está muito seca (aos prantos!), eu não vou conseguir dormir assim!

- Está bem, Catarina, eu trago um copo de água.

E, ao chegar com o bendito copo, é óbvio que a pequena só toma um gole (UM!) e diz que está satisfeita!

 

Acordada 2:

- Mãe, eu estou com frio. MUITO frio!

- Você está coberta, filha?

- Não!

- Então puxa a coberta e se cobre!

- Mas eu não consigo! Não fica confortável!

E aí lá vai a mãe, para cobrir do jeito "gostoso".

 

Acordada 3:

- Mãe, eu estou com medo!

- Medo, Catarina? De quê?

- De leão. Acho que tem um no meu quarto!

- Catarina, dorme! Já!

Silêncio... Fico me perguntando se o leão a comeu...

 

Acordada 4:

- Mãe, eu quero ir para a sua cama!

- Catarina, já conversamos que não pode. Você já é uma mocinha, e vai dormir aí no seu quarto.

- Mas, mãe, eu não gosto de dormir sem você!

Aí a mãe levanta, faz um carinho, espera a pequena dormir e volta para o que restou de sua noite de sono.

 

Acordada 5:

- Mãe!

Aí quem responde é o pai (porque se a mãe falar qualquer coisa, sabe que vai ter um ataque):

- Catarina, eu não quero mais um pio nessa casa até amanhã de manhã! Combinado?

 

Óbvio que no resto da noite a tranquilidade reina na casa! Porque mãe é mãe; e pai é pai. E tem horas que só o pai resolve a questão!

 

20 coisas que você não pode deixar de dizer ao seu filho

Minha filha me perguntou, então: "por que ela não gosta mais de mim?". Expliquei que não era isso o que havia acontecido - que elas continuavam amigas, que voltariam a brincar, e que ela também poderia procurar a companhia de tantas outras crianças bacanas de sua classe. Mas me partiu o coração vê-la triste - e esse foi o estopim para que eu começasse a pensar em tudo o que eu gostaria de dizer para que minha filha soubesse um pouco mais sobre a vida.

Porque, no fundo, tudo o que nossos pais nos contam marcam profundamente nossa percepção sobre o mundo. É como se essas frases se tornassem o "grilo falante", aquela voz que nos lembra de onde viemos, qual é o nosso papel no mundo, e, principalmente, o quanto somos amados, nos momentos de dificuldade. Por isso, filha, eu gostaria que você soubesse:

1) Que eu te amo exatamente como você é - e que você não precisa ser diferente para que eu a ame mais, pois isso seria impossível.

2) Que você tem um porto seguro em casa, e que você pode voltar sempre (SEMPRE!) que precisar.

3) Que nem todos os dias da sua vida serão felizes, e que, mesmo assim, está tudo bem. Porque depois de uma fase difícil, sempre haverá um dia com o céu azul.

4) Que tudo bem ficar triste de vez em quando, e que isso acontece com todo mundo (inclusive comigo).

5) Que os seres humanos sentem raiva, e que você também terá esse sentimento. Nesse momento, o melhor remédio é tentar se colocar no lugar do outro, entender seus motivos e perdoá-lo.

6) Que não basta perdoar os outros, é preciso, principalmente, aprender a perdoar as próprias falhas.

7) Que eu escuto quando você fala. Certo, há momentos em que estou doida, fazendo dez coisas ao mesmo tempo, mas se você me der cinco minutos, me organizarei para ouvir apenas o que você tem para me contar.

8) Que você não precisa ter pressa. Leve o tempo que for preciso, mas faça bem feito.

9) Que você é forte - mesmo que pense o contrário.

10) Que eu confio em você.

11) Que tenho orgulho de ser sua mãe.

12) Que nem todas as pessoas de quem você virá a gostar, também gostarão de você. Mas saiba que aquelas que realmente valem a pena te amarão de verdade.

13) Que você pode chorar. É melhor do que guardar a mágoa dentro de você.

14) Que tudo bem pedir ajuda de vez em quando. E que você não é uma pessoa pior, ou mais fraca, por admitir que não consegue fazer sozinha.

15) Que você pode (e deve) mudar de ideia, se perceber que está no caminho errado. 

16) Que você não é perfeita, assim como eu também não sou.

17) Que você pode, um dia, magoar alguém. E que a primeira coisa que você deve fazer é se desculpar.

18) Que você tem valor, e que você não deve deixar que alguém diga o contrário nunca (NUNCA!).

19) Que você é valente - posso ver isso em seu coração. Olhe lá dentro sempre que sentir medo, que você verá isso também.

20) Que estou feliz por você ter nascido. E que você fez minha vida muito melhor!

O vaivém dos nomes

Basta dar uma olhada na maternidade para notar que alguns nomes de bebês estão em alta. Outros, no entanto, se tornaram ultrapassados, e foram deixados de lado pelos novos papais. Mas o que será que interfere nesta tendência?

Segundo Natália Zaninetti Macedo, mestre em Linguística pela Unesp e coordenadora de um estudo realizado em São Carlos, para investigar as possíveis motivações que levam os pais a optarem por determinados nomes, as escolhas se baseiam, principalmente, em três fatores:

  1. homenagem a algum personagem, artista, jogador, parente ou amigo
  2. sonoridade
  3. religião

“As motivações religiosas também interferem bastante, levando a optar por nomes bíblicos”, conta.

E é justamente pela oscilação das personalidades, que ora fazem sucesso, ora somem dos holofotes, que certos nomes se tornam comuns e outros, ultrapassados.

Uma atriz ou cantora do momento provavelmente terá seu nome usado para registrar as recém-nascidas. Mas daqui a alguns anos, talvez seja esquecida, e aí, o nome já era.

A analista de sistemas Luciana Coutinho, 45 anos, engravidou em 1997, na época em que a novela “Por Amor” estava no ar. “Eu adorava a personagem Maria Eduarda, interpretada pela atriz Gabriela Duarte e, por isso, escolhi esse nome para minha filha”, conta.

Já a coordenadora de vendas Michele Azevedo, 38 anos, elegeu o nome Lucas, para seu filho, porque ele nasceu no dia de São Lucas. “Outros fatores também influenciaram na escolha: eu e meu marido queríamos um nome curto, e que não existisse na versão feminina”, completa.

Veja os nomes que são tendências e os que saíram da moda e entenda o por quê desta oscilação:

Saíram de cena:

  • Luciana: foi um nome comum nos anos 70, por causa da música "Cantiga por Luciana", interpretada por Evinha
  • Sandra: foi tendência no final da década de 80, graças à música “Sandra Rosa Madalena", de Sidney Magal
  • Valerie: o nome se tornou moda em 2007 graças à música do mesmo nome, primeiro cantada por  Amy Winehouse e depois, tornou-se popular no seriado "Glee"
  • Silvio: sucesso na década de 70, por causa do apresentador Silvio Santos
  • Ademir: nome do grande jogador de futebol na década de 50, foi copiado por muitos pais daquela época
  • Jéssica: inspirou a escolha do nome de muitas garotinhas na década de 90, devido ao sucesso da música do grupo Fundo de Quintal

Voltaram à moda:

  • Miguel: seu retorno pode ser explicado por uma questão religiosa, por causa de São Miguel Arcanjo
  • Davi: ressurgiu por causa do carisma do zagueiro Davi Luiz
  • Isabella: reapareceu graças à personagem principal da saga Crepúsculo
  • Ana: voltou por conta do sucesso da princesa Anna, do filme “Frozen – Uma Aventura Congelante”
  • Francisco: maior adoção do nome é decorrente do carisma do papa Francisco
  • Bento: também voltou por causa do papa Bento XVI
  • Heitor e Arthur: houve um crescimento na tendência por nomes épicos, ou seja, aqueles inspirados em nomes de reis e heróis
  • Catarina, Helena e Sophia:também são associados a rainhas e heroínas, em alta no momento

Em busca do equilíbrio entre o “sim” e o “não”

Em busca do equilíbrio entre o “sim” e o “não”

Dizer “não” para uma criança nem sempre é fácil. Mas, verdade seja dita, às vezes é o caminho mais curto para resolver alguma situação. Na outra ponta da corda, o “sim” aparece no mesmo contexto: ora é prático, ora é doloroso para quem o diz.

E é dessa maneira que as mães seguem dia após dia tentando balancear pesos e medidas quando precisam dizer essas palavrinhas tão pequenas, mas tão poderosas, capazes de influenciar o comportamento do filho numa vida adulta.

Aí vem a pergunta óbvia: por que é tão difícil encontrar esse equilíbrio?

Alguns autores falam em choque de gerações, mas a psicóloga Renata Magliocca, especialista em psicologia positiva, prefere o termo “encontro”.

É que os pais nasceram e cresceram em contextos socioeconômicos muito diferentes dos seus filhos: o mundo era outro, as necessidades, os desejos, a economia, as carreiras etc.  Essa diferença de contexto gera muitas inseguranças e dúvidas sobre o melhor jeito de agir e educar os filhos.

“Se os pais reproduzem o jeito como foram educados, fica a sensação de que estão fora de contexto, desatualizados ou que aquelas respostas não dão o mesmo efeito como antes. E não dão mesmo”, afirma Renata.

Por isso, os momentos do “sim” e “não” talvez sejam os que mais expõem essas mudanças e as inseguranças da maioria dos pais, desde como dar afeto, mostrar que o filho é amado, até oferecer limites, sem mimar ou, ainda, ensinar como vencer frustrações, falhas, erros, entre tantos outros percalços.

“Para vencer isso, os pais precisam ter claro quais são os valores que querem passar para seus filhos; o que é, na opinião deles, fundamental e o que não é tão relevante assim. Serão esses os contornos que darão a referência do momento certo de dizer ‘sim’ ou ‘não’”, defende a psicóloga Renata Magliocca.

Vale lembrar que esse é um exercício diário. Os pais precisam estar abertos a constantemente analisarem os impactos das suas ações em cada um dos filhos (porque cada um deles tem sua individualidade e reagirá de um jeito).

Também devem se questionar se estão no caminho que reforçam positivamente os valores em que acreditam e – bem importante – não esquecer que errar e falhar farão parte desse aprendizado constante.

Onde mora a dificuldade

Para a psicopedagoga Maíra Scombatti, a dificuldade dos pais em encontrarem o momento certo de dizer "sim" e "não" acontece quando ainda não se tem clareza do limite real do momento.

“Não temos dúvida em dizer ‘não’ quando uma criança tem o impulso de atravessar uma rua movimentada, assim como não temos dúvidas em dizer ‘sim’ quando nossos filhos nos pedem um copo de água quando estão com sede. Geralmente, quando temos dúvida, é porque o limite não é verdadeiramente importante. Nem todos os limites têm a mesma importância. E isso varia para cada família”, afirma.

Ter consciência dos limites (de integridade física, de convivência etc), identificar quais têm verdadeira importância em cada contexto, permitir-se questionar quando é possível e perceber as reais necessidades de cada momento podem ajudar a encontrar o equilíbrio nessa relação com os filhos.

Limites: como ensiná-los?

Antes de ensinar limites, é preciso que os pais tenham clareza sobre as seguintes perguntas:

  • O que valorizamos como família?
  • Quais comportamentos esperamos dar como exemplo para os filhos?
  • Que atitudes esperamos que eles tenham quando forem adultos?
  • Quais são os sinais e ações que esperamos ver e que nos trarão a confiança de que estamos no caminho certo?

Sem essas respostas, os limites ficarão muito confusos, dificultando que os filhos entendam a importância deles. “Essa inconstância gera dúvidas na criança, que também acaba confusa sobre qual comportamento é esperado dela naquela situação”, observa Renata.

É preciso ressaltar a importância do exemplo: os filhos aprenderão (verdadeiramente) o que é “sim” ou que é “não” ao identificarem nos seus pais e educadores determinados comportamentos.

Por exemplo, se você quer ensinar seu filho a ser educado com todos, então, pergunte-se: “Eu sou educada com todos?”, “O que eu faço que me traz a certeza de que sou?”, “O que eu gostaria de fazer?”. E colocar essas atitudes em prática.

Assim, os filhos vão compreendendo os limites daquela família, daquele contexto sem muita necessidade de cobrança ou imposição.

Avaliando o equilíbrio

Segundo a psicóloga Carla Zuquetto, terapeuta analítico-comportamental, um jeito de os pais descobrirem se estão no caminho certo é observar o desenvolvimento da criança. E aí não tem jeito: é estudar um pouco de desenvolvimento, dos marcos, saber o que esperar em cada fase.

“A gente não espera que um bebê de 7 meses saia correndo pela sala, nem que uma criança de 2 anos leia. Da mesma forma, não pode esperar determinados comportamentos antes da criança estar pronta para eles”, afirma. Ou seja, os limites têm que estar dentro desse intervalo: do que a criança pode fazer, do que ela consegue fazer.

Para quem busca dicas práticas, Carla Zuquetto indica algumas:

  • Esteja atenta ao seu filho e ao ambiente que o cerca e policie o seu próprio comportamento.
  • Tenha clareza dos limites que você quer colocar para os seus filhos e saiba os motivos desses limites.
  • Pense se esses limites são palpáveis para a idade da criança. Se não forem, em quais seriam os limites palpáveis e como chegar neles (fazer uma escala de limites).
  • Esteja sempre em acordo com o parceiro. Se um diz “não”, o outro deve confirmar.
  • Os limites devem ser consistentes, sem exceções às regras.

Palavra de mãe

Yara Tropea, jornalista, é mãe de Pedro (8 anos) e Luiza (2 anos) e, na maioria das vezes, não sente dificuldade em encontrar o momento certo de dizer "sim" e "não" para os filhos. Na verdade, ela tenta não criar “nãos”.

“Minha meta é dizer ‘sim’. Se vem um ‘não’ é porque não pode mesmo. E, às vezes, digo ‘sim’, mas quando eles vão colocar em prática aquilo que autorizei e percebo que foi uma péssima ideia, digo ‘não’ e explico o porquê dentro do entendimento deles”, comenta.

Mas nem sempre foi assim. Quando Pedro era pequeno, Yara tinha uma necessidade muito grande de obediência. “Achava que obediência e respeito eram a mesma coisa. Então, não aceitava que ele não fizesse o que eu estava dizendo para ele fazer. Naquela época, acho que eu dizia mais ‘nãos’, pois me respeitar era ele parar assim que eu dissesse ‘para!’”, conta.

Com o tempo, foi percebendo que tinha pouco a ver com respeito e mais a ver com o que ele podia dar com o pouco repertório que tinha. “Quanto mais eu me colocava na pele dele, mais eu conseguia equilibrar”, explica.

Para a advogada Ana Paula Consolino, mãe de Vittorio (8 anos), Giovanni (6 anos) e Giulia (4 anos), impor limites é difícil. “De tudo que se fala sobre filhos, acho que esse ponto é um dos mais complicados”, avalia.

Segundo ela, nos momentos em que um de seus filhos tenta se impor e testar seu próprio limite é que, muitas vezes, se sente incapaz. “Eu me questiono, me culpo tentando buscar explicação para aquilo. Ser ‘autoridade’ sem ser autoritária é extremamente complicado, mas é necessário”, avalia.

Para Ana Paula, é possível dizer “não” de um lado com um “sim” de outro. “Se é hora de trocar de roupa para sair, não vai esperar mais, pois está na hora. Mas a escolha da roupa pode ser da criança”, exemplifica.

Essas pequenas doses diárias e contínuas de equilíbrio são um exercício e sinônimo de paciência. “Sem dúvida haverá dias em que nós vamos nos colocar em conflito, a culpa aparecerá e a sensação de não saber se estamos no caminho certo, também, mas temos dentro de nós nossos próprios limites, nossos próprios conceitos e sabemos o que queremos para a construção dos nossos filhos: essa é a base”, acredita a advogada.